Maria João, nem sempre as versões são piores.
Que tinha tanto de sedutora como de má cantora.
Extractos de artigo de Tony Judt no Haaretz:
Aos 58 anos, um país, tal como um homem, já adquiriu uma certa maturidade. Mas o Estado de Israel continua, curiosamente (e entre as democracias ocidentais é o único), imaturo.
Hoje, a conversa do macho-vítima que o país usa aparece ao resto do mundo simplesmente como bizarra: prova-se que a cultura política de Israel em conjunto foi atacada por uma espécie de disfunção cognitiva. E a muito cultivada mania da perseguição - "todo o mundo quer apanhar-nos" - não reúne já simpatias.
Israel é o mesmo de sempre, mas o Mundo mudou. Qualquer que seja a descrição que os israelitas tenham do seu estado, ela não funciona necessariamente fora de portas. Já nem o Holocausto pode ser instrumentalizado para desculpar o comportamento de Israel. Graças à passagem do tempo, a maioria dos estados europeus reconciliou-se com a sua parte no Holocausto, algo que não sucedia há um quarto de século atrás. Do ponto de vista de Israel, isto trouxe consequências paradoxais: Até ao fim da Guerra Fria, o governo de Israel podia utilizar a culpa de alemães e outros europeus, explorar as falhas que estes tinham sobre o que realmente tinham acontecido aos judeus nos seus territórios. Hoje, quando a história da Segunda Guerra Mundial saiu da praça pública para os bancos de escola e dos bancos de escola para os livros, uma grande maioria de votantes europeus, e não só, mas sobretudo os mais jovens, simplesmente não conseguem entender como os horrores da última guerra europeia podem ser invocados para permitir ou menorizar o comportamento inaceitável noutro tempo e noutro local. Aos olhos do Mundo que observa, o facto de a bisavô de um soldado israelita ter morrido em Treblinka não é desculpa para o tratamento abusivo de uma mulher palestina quando esta quer atravessar um checkpoint. "Remember Auschwitz" não é uma resposta aceitável.
Em síntese: Israel, aos olhos do Mundo, é um estado normal, mas que se comporta de forma anormal. Controla o seu destino, mas as vítimas são outras. É forte, muito forte, mas o seu comportamento está a fazer outros vulneráveis. E assim, sem justificação para o seu comportamento, Israel e os seus apoiantes recaem sobre a mais antiga das desculpas: Israel é um estado judaico e é por isso que as pessoas o criticam. Isto - o ataque que a crítica de Israel é anti-semita - é visto em Israel e nos EUA como um trunfo. E se tem sido jogada mais insistentemente e agressivamente nos últimos anos, porque é agora a única carta no baralho.
Os judeus fora de Israel pagam caro por esta táctica. Não só porque os inibe de criticar Israel, por receio de aparecerem associados a más companhias, mas encoraja os outros a olhar os judeus por todo o mundo como colaboradores de facto no mau comportamento de Israel. Quando Israel quebra as leis internacionais nos Territórios Ocupados, quando humilha publicamente as populações das terras que ocupou está a dizer que esses actos não são actos de Israel, são actos de judeus. Que a ocupação não é israelita, é uma ocupação judaica. E se não gostam destas coisas é porque não gostam de judeus.
Muitos observadores acreditam que uma maneira de acabar com o aumento do anti-semitismo nos subúrbios de Paris e das ruas de Jacarta seria Israel dar aos palestinos a sua terra.
Como professor, apercebi-me ao longo dos anos a esta mudança de atitude em relação a Israel, por parte dos estudantes. Um exemplo entre muitos: Na New York University, dava uma aula no mês passado sobre o pós-guerra na Europa e tentava explicar a importância da Guerra Civil de Espanha na memória política dos europeus e porque a Espanha de Franco tem um espaço tão especial na nossa imaginação moral: é a lembrança das lutas perdidas, o símbolo da opressão na idade do liberalismo e da liberdade e uma terra de vergonha que as pessoas boicotavam pelos seus crimes e a repressão. Não consigo imaginar, disse aos alunos, de qualquer país que ocupe um lugar tão pejorativo na nossa consciência pública democrática de hoje. Está errado, disse um aluno. E Israel? Para minha surpresa, a maioria da sala - incluindo muitos do notado contingente judeu - acenaram aprovação.
Um destes dias, a tosse madrugadora impediu-me de dormir o necessário, e estive a ver o "Darjeeling Limited" (tanx Granel). E quando penso em Wes Anderson penso sempre nesta cena
e nesta irritantemente divertida música:
Estreia televisiva dos Sonic Youth, no programa de David Letterman.O som não é obviamente de grande qualidade. "100%" é o nome da música.
Bom dia.Joe Strummer com a Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra.
( video )
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Nossa vida não é boa
E nem podemos reclamar
Sei que existe injustiça
Eu sei o que acontece
Tenho medo da polícia
Eu sei o que acontece
Se você não segue as ordens
Se você não obedece
E não suporta o sofrimento
Está condenado a miséria
Mas isso eu não aceito
Eu sei o que acontece
Bom dia.
"O Superman", Laurie Anderson @ "John Peel: right time, wrong speed 1977.1987".
Bom dia.
Uma das músicas de "John Peel: right time, wrong speed 1977.1987" (versão de 1980, aqui)
Bom dia.
Como vêem o ambiente político?
M.E.C.: As pessoas têm medo de perder o emprego. Têm medo de falar e ser castigados por isso. Quem trabalha nas empresas tem medo, os jornalistas têm medo, há um ambiente como se fosse censura, sem haver censura. Até os blogues já começam a ser perseguidos...
R.Z.: A boa ditadura é aquela que consegue pôr um polícia dentro da cabeça de todos. E, na cabeça dos portugueses já havia um pide, que só foi expulso no princípio dos anos 90 - esse período foi mesmo um oásis. Houve ali um momento de euforia em que os portugueses começaram a sentir a cabeça mais leve...
...E agora o PIDE voltou?
M.S.: Sim. E, antigamente, as prepotências vinham só do governo. Agora vêm da oposição, o que é uma coisa fantástica! Agora é a própria oposição que quer suspender o governo durante seis meses, e ser mais autoritária que o próprio governo.
Entrevista dos mais conhecidos tertulianos da Noite da Má Língua, Miguel Esteves Cardos, Rui Zink e Manuel Serrão deram uma entrevista ao Expresso para divulgar o lançamento do livro. Divertida, embora eu prefirisse ler o que tem para dizer sobre o país Alberto Pimenta.
Versão eu até sou cool...
Versão eu até sou rebelde...
Bitter, a condizer com a Season.
Bom dia
Henrique Raposo disse uma vez e fingimos que não lemos: “A PIDE é o nirvana desta esquerda mumificada, e, quatro décadas depois, Salazar continua a dar de comer a muita gente… de esquerda.” Resolveu repetir caso nos tivesse escapado. Carlos Vidal escreveu uma vez - e vamos também tentar fingir que não lemos - que não haverá grande diferença entre os apoiantes de Sócrates e de Pinochet. Ou o disparate está em saldo ou nem um nem outro conseguem fazer o enorme esforço de imaginar o que é a tortura, a prisão e a vida na clandestinidade. Se não for por respeito pela memória que seja por o mínimo de decência. Um e outro, com objectivos opostos, lá vão banalizando a barbárie e branqueando ditaduras.
Concordo com todas as letras de Daniel Oliveira, no Arrastão.
Por causa da escolha da Melhor Canção de Amor (via), tropecei no Youtube naquela que é uma das/a melhor/es música/s de sempre: "Faroeste Caboclo", dos Legião Urbana. Bom dia.

Adivinham quanto custam as calcinhas com suspensórios deste ensaio com Helena Christensen para a Agent Provocateur? O mesmo que um Porto Fonsecas Vintage Magnum.
Piadas à parte, o ensaio fotográfico está interessante. Veja-se este exemplo.
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