Há dez anos, estes dois estavam a casar-se. Quer dizer, já se tinham casado, apesar do atraso do cabeleireiro. Já tinham tirado as fotografias, já se tinham instalado na tenda montada numa casa antiga recuperada, ali para os lados de Valongo (ou será Maia?), e já tinham não-comido, como todos os noivos, demasiado stressados para que corra tudo bem - juro que vi o "esse", mas o "people" estava a gostar. E não, a data não teve nada a ver com o Santo António (são dois ateus praticantes), antes com a disponibilidade da empresa de catering. Há dez anos, a esta hora, ela palrava com os amigos sobre como o cabeleireiro lhe tinha espetado uma série de ganchos no couro cabeludo, ele... não se lembra muito bem, mas tem a noção de que estava um pouco embriagado. Acabariam(os) a noite com esses amigos, no Triplex, provavelmente embriagados. Há dez anos, passados dois dias, estes dois jornalistas partiam para a lua-de-mel, onde tiraram estas fotos: Ela empunhando a (presumo) F4 como o facho da Estátua da Liberdade, ele tirando notas do jornal que lê o senhor Pulitzer, num dia que tinha começado cedo com uma visita às Torres Gémeas. As coisas mudaram muito, especialmente as descritas nesta última frase. A sorte tem sido bastarda nos últimos tempos, e alguns seres humanos também, bastardos. Mas há um ser, que aqui normalmente designo por "ganapo", que nos sossega e alegra e enche.
Se entretanto este post for apagado é porque ela não gostou da lamechice, ou de se ver na fotografia.
