Os resultados deste domingo fizeram mexer com o mercado. O Cristo-Rei recebeu a visita do (andor de) Fátima e manteve-se no topo do betão (naquela posição de ponta-de-lança que está a ser puxado, enquanto a Nossa Senhora pedia por favor ao árbitro para não marcar o penálti). Em Braga, nem o penálti ajudou Jesus, e o Benfica fez o que lhe competia enfiando três na baliza do clube do estádio de pedra (e betão). Mesmo assim, dizem que o Benfica quer Jesus e o Braga quer um milhão de euros. Quanto valerá o Cristo-Rei? Não o quererão em Fátima?
No cerne do filme «Anjos e Demónios», CERN é elemento essencial para a história de Dan Brown, que chega hoje aos cinemas, para o Ciência Hoje.
Não sei muito bem quando o conheci, mas o Serôdio é um verdadeiro personagem. Tem gostos simples e uma vida normal e, talvez por isso, a capacidade para simplificar argumentos aparentemente complexos -- embora, por vezes, complique coisas que são simples. Certo dia, farto da piadinhas, contei-lhe da dificuldade de paz no País Basco (ou Euskadi). Falei-lhe sobre os etarras que estragavam, de um lado, a possibilidade de paz e de o território caminhar para a pacificação - e eventualmente para a independência. Expliquei ao Custódio algumas das nuances que dá para ir percebendo de entre todos os movimentos que disputam os votos e os corações da população. Custódio Serôdio, embora temendo chocar-me, e depois de se conter, soltou uma expressão incontrolável quando tentava explicar-lhe melhor que os dirigentes etarras dos últimos anos eram novos, inexperientes e inconsequentes: "E são uns bons filhos da puta também. Uns verdadeiros filhos da puta": Sorri, porque o conheço, e sei que ele tentou que concordasse, mas percebeu que não me arrancaria mais do que o sorriso. Um médico de diagnóstico não se irrita porque um paciente tem um tumor, apenas informar e expõe as alternativas. Para que o Custódio não ficasse como uma visão redutora do conflito, contei-lhe, depois, sobre o outro lado, o lado dos que em Madrid e em outras partes da Espanha (e do Mundo, Portugal incluído) usam da ETA (ou o terrorismo) para se promover, para mostrar força, para crescer politicamente, jornalisticamente, para ganhar votos. Contei-lhe das eleições municipais em que a ETA estava no centro da campanha, das Europeias, das autonómicas catalãs, andaluzes ou baleares... Contei-lhe de como não preciso a ETA aparecer na campanha para que alguém dissesse que "a ETA aparece na campanha" porque se temia o atentado - e claro que a assustar sem matar nem arriscar morrer ou ser preso é sempre uma opção interessante. Expliquei-lhe como alguns personagens, Espanhas fora, muitos corruptos ou com os princípios corrompidos, só existiam existindo a ETA e sem a qual seriam talvez funcionários ou autarcas ou criariam uma rede de salões de cabeleireiro. "Então, pera aí, então esses são uns verdadeiros chulos. Uns ganda chulos." O seu raciocínio, assim claro, foi o mesmo do malogrado Javier Ortiz, há um par de anos, sem o ronco meio asmático que soltou entre as duas frases.
Hoje, esteve nas conferências do Estoril José María Aznar. Não sei se falou de terrorismo, porque perdi a pouca paciência que tinha para o senhor há uns tempos, mas lembrei-me da conversa que tive com o Custódio.