Quinta-feira, 31 de Julho de 2008
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) considerou hoje "ilegal" o encerramento do jornal portuense O Primeiro de Janeiro, embora a direcção do jornal admita apenas que se trata uma paralisação por 30 dias "para remodelação gráfica".
Em comunicado divulgado logo após os trabalhadores terem sido informados do fecho do jornal, o Sindicato alerta os mais de 30 jornalistas e restantes trabalhadores afectados para o facto de que a administração do matutino portuense não pode "encerrar simplesmente as portas e mandar para casa os trabalhadores ao seu serviço, sem ter encetado um processo que respeite as normas legais e acautele os seus direitos e garantias".
O Sindicato, que vai pedir a intervenção imediata da Inspecção do Trabalho, apela aos jornalistas para que "não abandonem os seus postos de trabalho e para que continuem a comparecer na Redacção, sob pena de caírem na armadilha do despedimento por faltas injustificadas".
Para o Sindicato, o "encerramento ilegal" daquele jornal e o despedimento abusivo de mais de 30 jornalistas e outros quatro trabalhadores ao seu serviço, configura um verdadeiro 'lock-out', traduzido na mudança de fechaduras das instalações realizada pouco depois da comunicação do encerramento.
Esta situação culmina um período de várias semanas de expectativas quanto ao futuro do jornal e de longos meses de atraso no pagamento dos salários.
O Sindicato lamenta que a Administração não tenha dado a cara nesta situação, "colocando injustamente sobre os ombros da directora a incumbência de acalentar esperanças na continuidade do título".
"Na comunicação feita esta tarde, a directora limitou-se a informar que o jornal encerra e que os trabalhadores vão todos embora, a fim de que, segundo justificou, seja accionado o fundo de garantia salarial", afirma o Sindicato dos Jornalistas. No entanto, o Sindicato sustenta que "tal fundo só pode ser accionado se a empresa for apresentada à insolvência ou tiver sido iniciado um procedimento de conciliação junto do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI)".
Entretanto, fontes ligadas à redacção de O Primeiro de Janeiro, que lança sexta-feira a última edição, indicam que os trabalhadores dificilmente irão receber indemnizações pelo presumível encerramento do jornal já que a empresa que procedia aos pagamentos salariais, a Sédico, faliu. No entanto, uma fonte próxima do diário do Porto disse à Lusa que os trabalhadores irão receber o pagamento correspondente aos meses de Junho e Julho, sendo incerto o subsídio de férias.
A mesma fonte afirmou que foi prometido aos jornalistas uma carta para o fundo de segurança social que poderá permitir que recebam parte das indemnizações a que têm direito.
Na redacção o ambiente é de "raiva mal contida", com os jornalistas a procederem à arrumação e armazenamento de todos os documentos, fontes e contactos.
Na reunião de urgência na redacção do «Primeiro de Janeiro», a direcção do jornal colocou em cima da mesa a proposta já adiantada pelo PortugalDiário: suspender a circulação durante o mês de Agosto e tentar regressar em Setembro. O fim «embrulhado» em remodelação, segundo foi possível apurar junto de pessoas próximas do processo.
Os mais de 30 jornalistas redigiram aquela que pode ser a última edição deste diário centenário, uma vez que a possibilidade de regresso é pouco credível para os próprios, pelo menos no mesmo formato.
A directora do jornal, Nassalete Miranda, presidiu à reunião, já que o proprietário do «Primeiro de Janeiro», Eduardo Costa, não esteve presente. Nassalete não quis prestar declarações no final.
De fora desta reunião estiveram os jornalistas do «Norte Desportivo» e dos suplementos de publicidade, pelo que não foi possível apurar o futuro destas publicações. Em princípio, deverão continuar, com um novo grafismo, até porque a publicação desportiva passou recentemente para mãos de outros proprietário.
Aos trabalhadores de «O Primeiro de Janeiro» foi prometido o pagamento do mês de Julho, não sendo salvaguardadas mais nenhumas contra-partidas, como indemnizações ou subsídios de férias. Haverá situações diversificadas, mas o panorama na redacção é de «perplexidade» e mesmo «algum pânico», segundo confessaram.
Na reunião, a directora justificou que os trabalhadores vão embora para seja accionado o fundo de garantia salarial. No entanto, segundo o Sindicato dos Jornalistas, esse fundo só pode ser accionado se a empresa for apresentada à insolvência ou tiver sido iniciado um procedimento de conciliação junto do IAPMEI.
Sindicato diz que é ilegal
Em comunicado divulgado logo após os trabalhadores terem sido informados do fecho do jornal, o Sindicato dos Jornalistas alertou os mais de 30 jornalistas e restantes trabalhadores afectados para o facto de que a administração do matutino portuense não pode «encerrar simplesmente as portas e mandar para casa os trabalhadores ao seu serviço, sem ter encetado um processo que respeite as normas legais e acautele os seus direitos e garantias».
O SJ, que vai pedir a intervenção imediata das autoridades competentes, apela aos jornalistas para que «não abandonem os seus postos de trabalho e para que continuem a comparecer na Redacção (sob pena de caírem na armadilha do despedimento por faltas injustificadas!), lutando pelos seus direitos e pela viabilização do jornal».
«O SJ vai solicitar a intervenção imediata da Inspecção do Trabalho, bem como uma reunião com a Administração com carácter de urgência», lê-se também no comunicado.
«O jornal está a ser mal gerido»
A poucos metros da redacção, um quiosque ainda exibia a edição desta quinta-feira do «Primeiro de Janeiro». O proprietário, Fernando Sabino, disse ao PortugalDiário que estava à espera deste desfecho.
«Lamento imenso caso feche mesmo, porque é um jornal importante na cidade e eu até o vendo bem aqui. No entanto, acho que está a ser mal gerido», afirmou.
Segundo o proprietário, este quiosque forneceu a redacção de jornais durante «muitos anos». «Deixei de os fornecer porque me ficaram a dever uma quantia irrisória ¿ cerca de cinco euros -, mas não me pagavam. Eu fui lá e acabei com o fornecimento», garantiu.
Portugal Diário, Filipe Caetano
O jornal "O Primeiro de Janeiro" não vai ser publicado durante o mês de Agosto "para modernização em termos gráficos e de conteúdo".
De acordo com a directora da publicação, Nassalete Miranda, o jornal já não sairá para as bancas no sábado.
"Precisamos de tempo, para modernização do jornal, em termos gráficos e de imagem, mas não de conteúdo, já que a nossa aposta continua a ser no noticiário do Porto, da região Norte e da cultura", explicou.
"O Primeiro de Janeiro", actualmente detido pelo grupo do empresário de Oliveira de Azeméis Eduardo Costa, é um dos mais antigos diários de Portugal, com 140 anos de existência.

Dizem que a vida é como uma estrada que faz caminhando ou que uma decisão é como um crucecaminos, termo mais certo que "cruzamento". Quando estamos indecisos podemos ser o tolo no meio da ponte e quando estamos cansados temos de fazer STOP.
Vou atravessar na passadeira se nao se importam.
Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

É impossível escolher uma música dos Pistols que sirva para elogiar e agradecer a alguém. Ainda por cima agradecer a um
amigo -- é um
amigo e não é preciso descrever mais nada, basta dizer/escrever a palavra.
Amigo. Como não há músicas dos Pistols que me lembre, fica, com a natural ironia religiosa, o título god save, e
também aquela frase do seu adorado Vinicius: "A gente não faz amigos, reconhece-os".
The Sex Pistols' Johnny Rotten. Photo Jill Greenberg, Rolling Stone.
A Columbia Journalism Review agradece contribuições para uma secção denominada Pensamentos de Partida, direccionada para os jornalistas que estão a deixar a profissão exporem conclusões sobre a situação e o que "está acontecendo à indústria jornalística". Tenho de treinar o meu inglês.
No
Parting Thoughts (
via,
via) há histórias comoventes de amor e outras de desalento.
Nas duas entrevistas nos jornais de domingo, lê-se Pacheco Pereira sobre o que "apoucanha o Norte", ou seja,
"o discurso mais provinciano, que é o de 'coitadinho do Porto, Lisboa tira-te tudo'". E lê-se Cravinho sobre o que de facto apoucanha o Norte:
"O Norte tinha, no final dos anos 80, cerca de 64 por cento do rendimento per capita de Lisboa. Dez anos depois era 69 por cento. E hoje regrediu para 58 por cento". E perante os números enunciados assim, simples, desta forma, confirmamos que o que Cravinho é o que diz Cravinho, o resto, como costuma designar o próprio Pacheco Pereira são "estados de alma".
Perante as teorias de como o Rendimento Social de Inserção anda a dar cabo do país,
Daniel Oliveira fez um post simples,
Prioridades, que diz muito. Por exemplo, linka o dados da perda anual de receita fiscal devido aos benefícios fiscais à banca - cerca de 700 milhões euros - em paralelo
as despesas anuais com o "rendimento mínimo" - 371 milhões de euros.
O que aconteceu nos últimos anos é que houve um conjunto de pessoas que para fazer política no Porto assumiram o discurso mais provinciano, que é o de "coitadinho do Porto, Lisboa tira-te tudo". Esta política foi seguida por todos os partidos e é das coisas que mais apoucam a minha cidade. Quem acha isso trata-me como se eu fosse lisboeta, mas garanto que conheço melhor e sou mais do Porto que muito dos que têm este discurso.
Entrevista de Pacheco Pereira ao DN.
Uma das partes da
entrevista de Cravinho, que surge no jornal com o título "O Norte vai perder ainda mais em relação a Lisboa", tem sido quase esquecida no meio do sururú da "corrupção" - que ilustra ou confirma suspeitas mas que não leva a lado nenhum. Cito:
O problema mais importante que o país tem é o afundamento do Norte. O Norte tinha, no final dos anos 80, cerca de 64 por cento do rendimento per capita de Lisboa. Dez anos depois era 69 por cento. E hoje regrediu para 58 por cento. Em dez anos, o rendimento per capita do Norte em relação a Lisboa regrediu 10 pontos percentuais. Isto é brutal. Com o este tipo de estratégia, o Norte na próxima década vai perder mais dez pontos em relação a Lisboa. Vamos ter quatro milhões de pessoas em perda e o fosso entre Porto e Lisboa vai-se acentuar. E não temos estratégia nem vontade de pensar nesse problema. O TGV Lisboa-Porto devia ter servido, com o aeroporto ao norte do Tejo, para levantar o Norte. Colocando o aeroporto ao sul do Tejo, vamos colocar a alavanca para a concentração do desenvolvimento em Lisboa, deixando o Norte entregue à sua sorte.
Entrevista no
Público.
Terça-feira, 29 de Julho de 2008
Hoje estive ausente. Até amanhã!
Segunda-feira, 28 de Julho de 2008
Mais do que a de John McCain, a melhor imagem no site da Vanity Fair é a de
Kelly Macdonald, a menina que brilhou em "Trainspotting" e "Este país não é para velhos" - mas que preferi em
"The girl in the café".
Este post de Javier Ortiz ter-me-ia ajudado mais se o conhecesse há uma dúzia de anos. Quem acha que se pode ir para os jornais escrever de tudo e não ser mal entendido,
devia ler.
As festas do L'Huma e a do Avante! são momentos únicos. Entre Lisboa e Paris, ficou sempre por celebrar a festa do PCE que sempre se disse ser igualmente animada. Agora, através de um texto de
Pascual Serrano no
Kaos en la Red soube que a deste ano está suspensa. No site do partido percebe-se que será
adiada e já se vendem cautelas para a do ano que vem. Curioso ler isto em casa de um familiar que é "detentor" de metros quadrados da
Quinta da Atalaia.
Domingo, 27 de Julho de 2008
O Santander é considerado o melhor banco do mundo, segundo a revista Euromoney.
Botín agradece em inglês. Um peculiar inglês. Todo o mal de Botín fosse o seu inglês...
Via Chuza.org.