
Quando chega a esta altura tenho sempre de levar com as “bocas” sobre a “seca” que é o snooker… Nem comento. E logo hoje que o O’Sullivan clarificou a passagem para a ronda seguinte com um máximo (video aqui) e que Swail e Liang fizeram um jogo emocionante. Uma “seca”? Ná, uma “seca” é gozarem com o Chalana por ele dizer que nos estão a “empurrar para baixo”. Admitir que o treinadorix até pode estar a fazer um trabalho de caca - que se confunde com o trabalho que o presidente está a fazer - é uma coisa, mas acusarem-no de não saber o que diz e depois levar com as as arbitragens do Sporting… isso é que é uma seca
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Os comentários são do mais alto coturno, mas nada comparado com os que se esperam domingo aqui.
A curta-metragem de Shock Doctrine, por Alfonso Cuaron e Naomi Klein, realizado por Jonas Cuaron.
por John Oliver.
Não sei fazer rojões. Dizem-me que é fácil, mas nunca experimentei. Posso contudo indicar uma série de restaurantes onde se comem rojões do mais alto coturno. Sem tretas. Não sei fazer teatro, nem sei escrever sobre teatro. Também não sei escrever sobre culinária e de gastronomia sei apenas os nomes de alguns restaurantes. Sobre teatro sei o nome de umas quantas companhias, de mais algumas peças e uns quantos dramaturgos. De demiurgos aprendi hoje que se podem tratar de dramaturgos. Aprendi ao recolher material para este texto, na página de La Fura dels Baus – uma daquelas companhias que posso citar sem medo. Melhor dizendo, alertando para o facto de o teatro que praticam ser total, de certa forma assustador, mas sem medo de enunciar o seu nome como exemplo de teatro de alto coturno. Demiurgos? Não sei, eles é que se caracterizam assim, lá na página deles.
“La Fura es una banda de demiurgos, cada uno con su paraíso y su serpiente, su caos y su orden, su enfermedad y su cura, creando las condiciones para su propia supervivencia de ser vivo que se da vida a sí mismo: el ser uroboro. Un día de estos los van a multar, porque si difícil es diversificarse, más difícil es estar casado y tener la razón al mismo tiempo.”
São eles que o dizem. E de certa forma no original castelhano fica mais interessante.
O site dos Fura dels Baus é um excelente retrato da forma como o grupo se apresenta. Directo, esteticamente despojado mas ao mesmo tempo com um pé à frente, mais à frente. Dificilmente se encontra um site de um grupo de teatro com este cuidado – estético e técnico, embora muitas funções estejam já há algum tempo em modo “disponível em breve” –, tal como dificilmente se encontra linguagem teatral que possa acompanhar o que eles fazem.
Aqui e ali já li e ouvi que eles apenas fazem teatro, mas que essencialmente ele não é assim tão diferente do que outras companhias fazem, nos processos. Contudo, e os meus conhecimentos não permitem ir mais longe do que uma pergunta: Quantos espectáculos de teatro foram tão directos, arrebatadores ou físicos para os seus espectadores?
Os amigos das músicas ou do cinema dir-me-iam que é comercial. E até apontavam as actuações anunciadas no próximo Festival Sudoeste como exemplo. É verdade, a par de Bjork, o outro nome anunciado para aquele é provavelmente o mais festival português de Verão foi o do grupo de teatro catalão.
Mas não quero antecipar nada da visita do grupo a Portugal. Pouco sei. Quero anunciar a nova peça. Directa.
La Fura dels Baus ultrapassa de novo a linha do politicamente correcto. “Boris Godunov” é inspirado no trágico sequestro do Teatro Dubrovka de Moscovo no ano de 2002 pelas mãos de um comando terrorista tchecheno, que mantiveram reféns mais de 700 personas durante mais de dois dias, para reivindicar que as tropas russas saíssem do seu país. Misturando política e ética e a decisão do então presidente russo Vladimir Putin, que decidiu entrar teatro adentro para resgatar os reféns e, de permeio, matar os terroristas. O resultado foi a morte de 130 pessoas, mais os terroristas. Há ainda a – posteriormente conhecida a nível global – jornalista Ana Politovskaya a tentar medear o conflito, o rol de acontecimentos “falhados” e a hierarquia do grupo terrorista. Os jornais espanhóis escrevem que se trata de um épico no limiar do realismo “consegue que os espectadores vivam na carne as sensações de medo, pavor, tristeza e finalmente evasão. Ou seja, um espectáculo “Fura” de complexos fechados – a estética exterior é outra, mais espectacular. Digo eu, que não sei escrever sobre teatro nem percebo muito de gastronomia, e ainda menos de culinária.
Numa conversa com os jornalistas antes da apresentação (estreada este mês em Murcia), Àlex Ollé, um dos seus encenadores, explica que em cena se misturam as lutas intestinas do comando tchecheno e a luta pelo poder com fragmentos da obra teatral “Boris Godunov”, de Puchkin, que seria representado aquela noite no Teatro Dubrovka, se os terroristas não tivessem irrompido sala dentro. E a luta intestina dos terroristas acaba por ser uma luta pelo poder, explica, e a corrupção e o assalto ao poder da trama da peça de Puchkin, explicou. As cenas são intercaladas com outras, de um gabinete de segurança, que trata de questões da crise e as intervenções da jornalista assassinada anos mais tarde, a tentar conciliar a posição dos terroristas com as do governo de um país, dito “imaginário” – já que La Fura utilizou “um arquétipo do terrorismo para evitar a polémica” com os grupos islamistas ou com a ETA.
Os actores tiveram treino especial com forças especiais, para que soubessem manejar uma arma, no caso uma réplica perfeita de uma kalashnikov (ou Ak-47). E quem ao ler este texto tenha receio de uma interacção directa com o espectador, Àlex refuta. “Há momentos que podem ser duros para o espectador, mas não há vísceras… não é gratuito”. Vísceras? Isso come-se com rojões?
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