300 estudantes ocupam um edifício administrativo da faculdade de Nanterre, nas proximidades de Paris, para protestar contra a prisão de companheiros que eram contra a guerra do Vietname. Começou.
Um daqueles filmes de gags - Superhero - pegou na entrevista de Tom Cruise sobre a Igreja de Cientologia e ele próprio. E está brilhante. O actor interpreta muito bem o personagem real (!) do actor Cruise, que me irrita desde sempre.
O original, em baixo, parece ainda mais engraçado. Mas apetece-me partir o monitor porque, lá está, é mesmo o Tom Cruise.
Faltavam poucos minutos para as 21h e já os repórteres contavam que se dançava na sede eleitoral dos socialistas ao som de uma canção de Maná, quem sabe se o sucesso “Amar es combatir [Amar é combater]”. Noutro local dessa sede, o secretário de organização do PSOE dizia que tinha valido a pena, o resultado destas eleições provava que os espanhóis “recusaram a campanha da crispação e da deslealdade”, referindo-se o galego José Blanco à campanha conduzida pelo PP. “As reformas valeram a pena”, conclui, antes de anunciar, para enorme alegria nas ruas, que o presidente do Governo se preparava para aparecer aos seus apoiantes – que gritavam “a filha de Rajoy é socialista”.
Rodríguez Zapatero chegou, pelas 22h, ouvindo os gritos de “presidente, presidente” e concluiu a primeira parte do seu discurso no mesmo sentido: “Valeu a pena”. Mas perante a euforia que o recebia, fez questão de lembrar o ex-vereador assassinado na sexta-feira. “Isaías devia estar hoje a celebrar a vitória, com a sua família…” começou por dizer o reconduzido presidente do Governo recordando o camarada assassinado sexta-feira e lembrando depois os restantes socialistas tombados “e todas as vítimas do terrorismo”. “Elas vivem na nossa memória”, proclamou.
O PSOE venceu as eleições gerais espanholas (dados das 22h) com 168 deputados contra 154 do PP, uma diferença menor do que em 2004. A progressão da contagem permitiu ao PP encurtar significativamente a desvantagem face ao PSOE, que nas primeiras sondagens surgia, em alguns meios de comunicação, com maioria absoluta.
No que toca a percentagens, o PSOE tem 43, 87 por cento contra os 40,17 por cento do PP, comparativamente aos 42,6 e os 37,7 que os partidos obtiveram nas gerais de 2004.
A resistência do Partido Popular, apesar da vitória e da subida clara dos socialistas, deve obrigar Mariano Rajoy – que perdeu duas eleições gerais – a demitir-se num futuro congresso do partido. Pensava-se que fosse já nos próximos dias que o líder popular saísse, mas a manutenção dos deputados em Madrid deverá mantê-lo nos próximos tempos à frente do partido da direita. O PP reduziu a diferença de votos.
Com a excepção de Eusko-Alkartasuna – que seria mesmo uma das forças a sair das Cortes – os nacionalistas moderados, nomeadamente o Partido Nacionalista Basco, a Convergência e União catalã e o Bloco Nacionalista Galego, conseguem manter os seus resultados apesar da bipolarização que se notou ao longo desta campanha. Os bascos perdiam um deputado às 21h15 (hora portuguesa), os catalães mantinham os seus dez deputados, assim como os dois do BNG.
Em contrapartida, a Esquerda Republicana da Catalunha perdia pelo menos metade dos deputados de há quatro anos.
Quem se encontra em situação pior é a Esquerda Unida. A terceira força política de Espanha, que o continua claramente a ser, varia pouco a sua votação, mas o sistema eleitoral tendencialmente bipartidário rouba-lhe dois deputados. Gaspar Llamazares assumiu a responsabilidade do resultado, “que é mau sem paliativos” mas também por causa do que chamou “o tsunami bipartidário” e um sistema que levará uma coligação com quatro por cento dos votos a ter apenas 0,85 por cento dos deputados. Demitiu-se.
Do outro lado, o novo partido UPyD, onde pontifica Fernando Savater, conseguiu eleger um deputado, a fundadora e ex-militante socialista Rosa Diez. A coligação Nafarroa Bai, que inclui partidos independentistas bascos com base em Navarra, conseguiu eleger um deputado também. Outro partido novo, o Ciutadans, de Catalunha, não consegue o deputado.
O senhor ou a senhora que se segue no PP
Alberto Ruiz Gallardón pode vir a ser o senhor que se segue na liderança do PP. Sobre o presidente da Câmara de Madrid, que sempre foi visto como um dos mais bem cotados dirigentes dos conservadores espanhóis, estão agora os olhos de grande da direita do país vizinhos, bem como de muitas forças sociais que não se reviam nas posições mais extremadas dos populares nos últimos anos. Depois de, no processo de elaboração das listas, ter sido retirado pelo próprio presidente do partido, Mariano Rajoy, Gallardón chegou a ser defendido publicamente pelo “pai” do partido Manuel Fraga-Iribarne. “Muitos votos vão com ele”, disse o histórico dirigente.
Contra si tem os principais dirigentes que estiveram com Rajoy desde que, há cinco anos, Aznar lhe passou o testemunho na liderança do PP. Aqueles que continuam a ser considerados como os homens de Aznar preferem Esperanza Aguirre, a presidente da Comunidade Autónoma de Madrid, que tem do seu um dos maiores trunfos dos radicais do PP, o radialista Federico Jiménez Losantos. O discurso sobre a imigração, a tensão colocada nesta campanha eleitoral e a atitude ao longo dos últimos quatro anos de oposição será da responsabilidade deste grupo. O grande derrotado ontem.
Os problemas que se esperavam no País Basco e outras ocorrências
Os partidos bascos ilegalizados, e os entretanto suspensos, apelaram à abstenção nas eleições gerais que se realizaram ontem, deixando adivinhar os problemas de segurança que acabaram por se confirmar – apesar da comoção causada na comunidade autónoma pelo assassinato, na passada sexta-feira, de um ex-vereador socialista em Mondrágon.
A página web do jornal pró-independentista Gara foi noticiando durante a tarde os principais casos de boicotes e sabotagens realizadas nas províncias de Euskadi e em Navarra, a comunidade autónoma reclamada como integrante da região berço da ETA. Se com o nascer do dia iam sendo revelados os casos de sabotagem ocorridos durante a madrugada – como a destruição de urnas de votos e dos próprios boletins ou mesmo das cabines de voto – em diferentes pontos, a partir do final da manhã, os relatos centravam-se nas detenções ocorridas por causa de várias manifestações ou concentrações. Em Auslesti, onde pela manhã tinham-se descoberto urnas partidas e boletins desaparecidos, foram detidas dez pessoas à hora do almoço, por se terem recusado a identificar quando participavam numa manifestação e por estarem a divulgar propaganda política. Em Azpeitia, a polícia interveio também para dispersar uma concentração onde participava o presidente da autarquia, eleito pela organização que foi suspensa em Fevereiro ANV. Em San Sebastian foram identificadas 16 pessoas que participavam numa caravana automóvel, o mesmo aconteceu a outra dezena e meia que fazia o mesmo, a pé, em Algorta. Mas segundo o insuspeito jornal, este tipo de acções foi generalizado, sem problemas de maior.Em Navarra, a vereadora da coligação Nafarroa Bai no município de Tudela, Milagros Rubio cedeu o seu voto a um imigrante marroquino de forma a reivindicar o direito de voto dos imigrantes, anunciou a organização. O imigrante foi entregar o boletim já preenchido à mesa de voto e quando o presidente da mesa o informou que não podia aceitar o voto, a militante da coligação basca de Navarra entregou a sua documentação e colocou o boletim do imigrante na urna. Em Vitória, pelo menos dez pessoas tiveram a mesma atitude.
Em Valladolid, um surdo-mudo faz parte de uma mesa de voto, graças à ajuda de um interprete. Arsenio já tinha participado numas eleições, há 20 anos, mas o diálogo com o presidente da mesa tinha sido difícil, conta a edição online do jornal.
Os primeiros eleitores espanhóis cegos exerceram ontem pela primeira vez na história o seu direito a voto sem ajuda, mercê de um novo sistema de voto em Braille inaugurado nas eleições gerais em Espanha. Previa-se que cerca de 1.600 dos 60 mil eleitores cegos recenseados em Espanha utilizassem o novo sistema, depois de o terem solicitado no mês passado.
Publicado originalmente em O Primeiro de Janeiro