Um blogue a partir do Porto sobre os media, a música e o mundo
31.10.06
Termina na próxima semana, em Londres, na Galeria Spectrum, uma exposição crítica do director da Tate, Nicholas Serota, denunciado por um grupo por favorecer a arte conceptual nas suas aquisições. Os "stuckistas" ridicularizaram Serota porque consideram que ele tenta impor seus próprios critérios em matéria artística, apesar de a Tate ser pública, segundo o Estadao. Ler Mais
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link do postPor filinto, às 23:24  comentar

Artigo antiguito da Maria Claire brasileira que estava entre os favoritos "para ler". Seis fotógrafas cedem seis fotografias para a Amnistia Internacional, seis imagens que são seis histórias de vida. Faltará lá uma portuguesa?
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link do postPor filinto, às 23:10  comentar

Há uns anos, buzinei a um idiota de um polícia que estava estacionado em terceira fila a falar com uma menina loiraça. O gajo, chateado, veio atrás de mim e multou-me. Que não podia ser, que não tinha feito nada de mal "a não ser chamá-lo à atenção por estar a obstruir a via". Que sim, que tinha feito algo de mal... tinha ultrapassado (uma bicicleta, diga-se) na ponte D. Luís.
- "Sim, e...?"
- "E é proibido ultrapassar em pontes"
- "Qué?"
- "O senhor desrespeitou o código."
- "E o senhor não me está a multar por causa da ponte, está a multar-me porque ficou mal perante a loiraça."

Passou-me uma multa. Desde essa ocasião que quando me preparo para estrebuchar, por muita razão que tenha, tento não ser apanhado na curva, ou na ponte.

PS: O juiz de tráfico, depois de ler a contestação que escrevi na multa que me chegou pelo correio, passou-me a multa mínima.

As crónicas de Eduardo Prado Coelho são, normalmente, deliciosas. Ontem falhou. c. Assina: a escrita em blogues "pela desenvoltura da escrita, uma espécie de tu cá, tu lá, parece que favorece o disparate". Há "a mais espantosa ignorância e vocação para a tolice desenfreada", exprime, e depois garante que "sempre que ouço a expressão 'o dinheiro dos contribuintes' puxo a pistola".

Desde logo, não fica nada bem a alguém das luzes glozar a frase de um animal (Himmler, Goering ou Millán Astray, chefe da Legión Extranjera ante Unamuno?), mas a espiral de idiotices normalmente só aceites aos descerebrados prosseguiu. EPC criticou depois "uma personagem anónima" que escreve "em algo que se intitula 'Rabbit's Blog'" - referindo-se a um blog cuja morada é blog.luispedro.org. Será de alguém chamado Luís Pedro Coelho?

E prossegue: "num estilo mais ou menos aparvalhado, um tal senhor Luís Aguiar Conraria, no blogue "A destreza das dúvidas", diz que "nunca se leu tanto como se lê hoje; basta ver o sucesso em Portugal de Dan Brown ou de Miguel Sousa Tavares. As comissões de bom gosto acham que devíamos ler Sophia de Mello Breyner e não Margarida Rebelo Pinto. (...) Provavelmente mandavam-nos ler poesia do século XIV no original". Ora, o LAC não escreve só num blogue, escreve aliás numa revista que é publicada com o jornal onde escreve EPC, que não deve ter tempo para ler, pois anda nos blogues à procura de quem diga mal dele. Já agora, EPC podia ler o que a Agustina Bessa-Luís diz sobre a mesma questão - o mesmo de LAC.

Prado Coelho, que não lê blogues, não se dá ao trabalho de perder 5 minutos para fundamentar os seus insultos. Tão grave como esta ignorância que Prado Coelho diz que cultiva é o visível orgulho com que o faz.
link do postPor filinto, às 21:31  comentar

Após três meses de protesto, ignorados e esquecidos pelo poder político preocupado com ganhar as eleições e depois confirmar a vitória e depois ver se nmão havia levantamento popular e depois..., o exército chegou a Oaxaca não para estebelecer pontes com os manifestantes mas para atacar forte e feio. Toni Cano, enviado especial do El Periodico de Barcelona, escreve que:"La policía militarizada enviada por el presidente, Vicente Fox, retomó el centro histórico de la ciudad la noche del domingo (madrugada de ayer en España) y acampó en la plaza tras barrer los campamentos rebeldes. Los debilitados seguidores de la Asamblea Popular de los Pueblos de Oaxaca (APPO) se atrincheraron en la universidad, en torno a la radio tomada por los "estudiantes conscientes", que siguió coordinando la resistencia y abogó por la "lucha pacífica de masas". En las bocacalles, la gente insultaba a los policías. "En Oaxaca se ha recuperado la paz social", afirmó Fox."

"Empresarios y vecinos celebraron en un Zócalo "adecentado", ante las cámaras de televisión: "Ya era hora", "Estamos hartos". Otros mascullaban su queja. "¿Esa es la democracia del presidente?", preguntó una indígena. En la capital mexicana, el Senado pidió por unanimidad al gobernador de Oaxaca, Ulises Ruiz, que "reconsidere su separación del cargo para contribuir al restablecimiento de la gobernabilidad" en el estado."




URGENTE PARAR LA MASACRE EN OAXACA MEXICO.

Originally uploaded by ktemo_arts_mex.
(postado por Flickr)

30.10.06
No EnglishRussia
link do postPor filinto, às 23:12  comentar

Então para fazer estudos da importância dos que serviram de base à futura introdução de portagens nas SCUT, no valor de 275 mil euros, o Governo contrata por ajuste directo e para a escolha do nome do TGV vai lançar um concurso público(a partir deste post)

E não é uma contradição em si lançar um concurso para dar nome ao TGV?

E estudos eram necessários se a decisão é "política"?

en125.jpg

Não tem directamente a ver com a introdução de portagem nas SCUT, mas a pergunta que me veio à cabeça quando vi o acidente com o avião na EN125 foi "como seria se a aterragem de emergência fosse na EN13 ou na EN109?"

Este fim de semana, Repsol e Petrobrás, sexta-feira, Total e Américain Vintage, chegaram a acordo com o Governo da Bolivia para uma explorada dos recursos naturais (energéticos) do país. As receituais anuais do sector, promete o presidente Evo Morales, devem passar de 3.143 milhões de euros para 157 milhões de euros. Nada mau para o país mais pobre da América do Sul, depois das guianas.
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link do postPor filinto, às 10:10  comentar

Há certo tipo de tiques blogosféricos que deveriam começar a ser etiquetados, por assim dizer. E este caso, recente, com este, para citar conhecidos e deixar-me de fora, configuram o padrão bigmouth e não primadonna. Adaptaram do Morrissey: And now I know how joan of arc felt/ now I know how joan of arc felt/ as the flames rose to her roman nose/ and her megadrive started to melt. Bom dia!
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Com a excepção de quem more ao longo das novas linhas de metro, como se poderá criticar quem opta pelo automóvel em detrimento de transportes públicos de má qualidade, muito lentos e desconfortáveis? No país e na região em que eu vivo, o investimento no metro, se voltar a haver, será sempre a conta-gotas. Basta olhar para o Orçamento de Estado para 2007 para perceber as diferenças 16 milhões para a rede portuense, 80 milhões para a rede lisboeta.

Rafael Barbosa, jornalista 
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link do postPor filinto, às 08:23  comentar

Coincidi um par de vezes com o inspector Varatojo numa pensão termal no Gerês. Afável e divertido, vivia de tal forma o seu personagem que nem parecia ser personagem o que realmente era ele: ou seja, com a excepção do cachimbo - estava proibido pelo médico - Varatojo era o mesmo da televisão, o que faleceu. Ou seria ao contrário?
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link do postPor filinto, às 08:11  comentar

29.10.06
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=aTJJpQQJPuU]

Vídeo de 808manprod, ao vivo @ North Star Bar Philly PA. Oct 03. 2005

pós-post: A melhor música de "Carnival" é, também ao vivo, "Another Imperial day" (no Castpost).

nma-hardclub.jpg
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28.10.06
"A entrevista pode fazer-se... agora" - foi uma correria para encontrar gravador, microfone e para pensar em inglês. As perguntas foram surgindo naturalmente e Justin estava preso no trânsito. Por isso correu muito bem.

Como é possível os New Model Army estarem tanto tempo sem tocar em Portugal?
Não sei se serei a pessoa indicada para o responder, mas creio que deve ter algo a ver com o facto da oportunidade, de azar. Somos aquele tipo de grupo que tem seguidores, no sentido de culto, pelo mundo inteiro, incluindo Portugal, mas não aparecemos muito na MTV, nem nos media tradicionais, e isso leva a que os promotores de concertos nem saibam que existimos!


É uma questão de oportunidade, porque se nos convidam vamos.

E esse culto talvez faça com que não apareçam tanto nos media tradicionais.
As pessoas dos meios tradicionais, os jornalistas de rock, não sabem onde nos encaixar, não sabem onde pertencemos dentro das etiquetas que se dá às bandas. Claro que embora crie um problema no relacionamento com esses media, acaba por ser excelente, artisticamente. Graças a isso, desde o início que nos sentimos completamente à vontade para fazer o que quiséssemos em termos musicais. É uma grande liberdade.

Mesmo assim, vocês têm uma enorme popularidade na Alemanha, na Holanda e nos Estados Unidos (além da Grã-Bretanha, claro), ou seja, são uma banda de culto, mas o culto é enorme.
Sim, isso acontece, mas não foi algo que planeássemos. Simplesmente sempre quisemos ser livres de fazer o que queríamos. Nunca nos preocupamos com o aspecto comercial.

De qualquer das formas, houve discos vossos, como o "Ghost of Cain" que teve um tremendo sucesso [em Portugal chegou a estar no top].
É interessante: fomos populares em diferentes países em alturas diferentes, há sucessos diferentes conforme os países. "Ghost of Cain" [1986] foi sem dúvida um dos nossos discos mais vendidos, penso que só ultrapassado por "Thunder & Consolation" [1989], embora o "The Love of Hopeless Causes" e "War" também tenham tido sucesso noutras paragens.

Tais como?
Recentemente descobrimos que éramos queridos em partes do mundo que não contávamos. Turquia, por exemplo. Polónia... especialmente esses dois.


Mas falavas da liberdade de criação, não condicionada pelos aspectos comerciais...
Sim. Parece-me que temos sempre coisas para escrever, que temos sempre novas ideias musicais dentro do grupo, o que significa quase sempre um transformar da energia criativa, uma mudança. Estamos continuamente em movimento, desenvolvendo ideias novas. Ainda agora, que estamos a trabalhar no novo álbum, mantemos aquela sensação excelente de uma livre... de estarmos livres para fazer o que quisermos.

E o que é que têm previsto para o concerto deste sábado. Será centrado no último disco de originais, o "Carnival", ou terá alguns daqueles hinos que compuseram ao longo destas duas décadas?
É um bocado uma mistura de ambas as coisas. Não é preparado, é um bocado ao acaso. Escolhemos o que vamos tocar uns quinze minutos antes do concerto. Será uma mistura entre coisas novas e velhas.

E isso depende de quê? Tendo em conta a vossa relação próxima com o público dos concertos, as músicas dependem da audiência?
Bastante. Não podemos tocar as músicas todas, claro. De qualquer das formas não me parece que o mais interessante seja exactamente "o que" vamos tocar mas a forma "como" tocámos. É um sentimento que criámos ou sentimos em palco.

Que nasce dessa espécie de comunhão com o público?
Sim, conseguimos tê-la.

As questões sociais e políticas que vocês levantam e colocam, não apenas nas canções mas sobretudo na atitude do grupo, poderá ser uma razão para estarem arredados dos media "mainstream"?
Talvez. Houve uma altura em que a política e a música andavam mais próximas do que actualmente -- agora as pessoas dizem "Oh! Não deves falar sobre isso...". Não me interessa o que as pessoas pensam sobre o que nós devemos ou não cantar, há muitas coisas que falamos nas nossas músicas e que, posteriormente, acabam por ser assunto dos media tradicionais. Aí, já estamos noutra.
Obviamente que o mundo muda, mudou imenso nos últimos 25 anos, e as coisas sobre o que estamos a escrever agora não são as mesmas de há dez anos. Escrevemos o que é interessante para nós em determinado momento.

Portanto, a liberdade que falavas em termos de composição musical, também se reflecte nas letras?
Sim, sem dúvida. Nos Anos 80, as pessoas pensavam que éramos uma banda "de esquerdas" -- o que acaba por ser verdade -- mas há músicas como "Vengeance" ou "My People" que não são, de maneira nenhuma, "de esquerdas".
Ainda no Verão do ano passado, havia grande emoção em relação ao que se passa em África, era altura do "Live 8". Em "Carnival" [2005] há uma música chamada "Red Earth" que é bastante dura em relação a África, que não é definitivamente "politicamente correcta".
E não pertencemos a nenhum movimento ou grupo político, claro.

Nos Anos 80 não tiveram preconceitos em ir buscar as tradições, sobretudo da Grã-Bretanha, mas também de uma parte da Europa. A tradição celta ainda é para vocês uma referência?
Vivemos num mundo muito vasto e temos a oportunidade de ir a tantos sítios e perceber que além de vasto é muitíssimo interessante, especialmente agora quando há um grande movimento de pessoas em todo o mundo, de todo o lado para todo o lado, provocando um choque de ideias. Isto é muitíssimo interessante para nós.

E a vossa cultura céltica acaba por ficar a falar com os vossos fãs turcos...
Sim. Sim, sim. A ideia de pureza cultural, da pureza tradicional Celta da Irlanda, existe, mas está também muito influenciada pela cultura marroquina. A costa Oeste da Irlanda, tal como Portugal, é muito influenciada por essa cultura. E penso que essa é uma das diferenças que noto entre Portugal e Espanha, é que vocês têm uma maior abertura para o vosso passado árabe do que Espanha.

Em "Carnival" vocês focam uma questão do momento que é a imigração. Tema da semana em Inglaterra, não?
Sem dúvida. É a questão do momento. Falamos do "World Wide Movement of People" [traduzível por "movimento de pessoas por todo o mundo", numa referência à globalização e à internet, a World Wide Web] porque no Ocidente temos como certo que podemos ir para onde quisermos, mas a questão é que há pessoas, de fora, que não o podem fazer, não podem ir para onde quiserem. Claro que a vinda de pessoas de África, sobretudo através da Europa do Sul, é o assunto do momento.

Acreditas que, como na vossa música "Higher Wall", estaremos a meio caminho de construir muros cada vez mais altos no Ocidente?
Parece inevitável o desejo de o criar. E é também inevitável que tenhamos consciência que esse muro mais alto é inútil. Não se pode construir um muro em torno da Europa e disparar sobre as pessoas que querem cá entrar. Algo diferente terá de acontecer, teremos de chegar a outra solução.

A arte -- como plano de cruzamento de culturas de que falavas antes -- pode ajudar os políticos a encontrar a solução?
Talvez, não sei. Se houver tempo para pensar nas coisas, como nós, artistas, temos, é possível. O problema é que a maioria das pessoas no seu dia-a-dia e os políticos ocidentais, em particular, não parecem ter tempo para pensar nas coisas, simplesmente reagem às situações. Eles não têm tempo para olhar através da janela do autocarro e sonhar acordados. E nós temos, o que é um privilégio. E é talvez por isso que os artistas pensem... melhor do que os políticos.

Agradeço ao António e ao Tommy

 
Ainda em mudança de template
Contacto com o autor do blogue:
melo.filinto@gmail.com






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