Sei um par de coisas sobre o Watergate, mas hoje de manhã descobri outra: No dia em que os assaltantes ao edifício com esse nome foram detidos, o Washington Post colocou no terreno a investigar o assalto e a detenção oito repórteres, acompanhados por dois editores. Já tinha lido na autobiografia de Ben Bradlee que estiveram directamente envolvidos na investigação do Watergate, ao longo dos anos, dezenas de jornalistas do Post, mas não imaginava que para um simples assalto, mesmo que relacionado com um partido político, estivessem envolvidos estes meios e este pessoal. O lado romântico da história apresenta-nos dois repórteres com uma tenacidade sem limites e uma perseverança, pertinácia, acompanhada por boas fontes e uma dose de sorte. Contudo, à medida que vou sabendo pormenores, e vou ficando mais adulto, ou mais cínico, percebo cada vez melhor que o que fez o Watergate não foram dois indomáveis jornalistas e um director pistoleiro, foi uma forma de pensar, de actuar, de trabalhar que, lá e cá, parece cada vez mais afastada das redacções e dos jornalistas.
