Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

"Há uma Ibéria indiscutível que está entre os Pirinéus e Gibraltar, com comida, raça, costumes, história em comum e as fronteiras são completamente artificiais. Houve dificuldades históricas que nos separaram, mas a Ibéria existe. Náo é um mito de Saramago, nem dos historiadores romanos. É uma realidade incontestável que precisa de um empurrão social e não político para concretizar o projecto.

Arturo Perez-Reverte, hoje  


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FM às 15:42 | link do post | comentar

2 comentários:
De Carlos Eduardo da Cruz Luna a 19 de Novembro de 2008 às 22:53
DISCUTIR O IBERISMO
(

Voltou a estar na moda apontar uma eventual união Portugal-Espanha para resolver os grandes problemas do povo português. Tudo isto partindo de um estudo em que quase 28% dos inquiridos manifestava tal opinião, e que foi referido quase até à exaustão... esquecendo-se que no mesmo estudo quase 70% dos inquiridos acreditava ser Portugal um país viável.
Desgosta-me ver pessoas tratar destes temas de Unificação Iberica em termos
tão ligeiros e irresponsáveis. Deveria ser já tempo de se falar de assuntos polémicos com profundidade.
Pessoalmente, não sou a favor duma União Ibérica. Parece-me ridículo pôr em causa uma independência de 850 anos, que nunca se teria mantido se não fosse sólida e justificada. Já é suficiente, sem discutir se terá sido o caminho correcto, a "dissolução" (relativa...) na União Europeia, onde, como Estado Soberano, temos voz igual aos outros membros. Numa União Ibérica, até essa igualdade se perderia.
Todavia, penso que os que a defendem como uma solução para Portugal no quadro de uma Confederação o fazem convictos de que querem conservar uma cultura portuguesa distinta, e merecem ser respeitados, mesmo discordando da idéia! Enfim, igualmente
aqueles que, ao defender uma Unificação Iberica, defendem o aniquilamento
puro e simples de Portugal, e a sua "castelhanização", também têm o direito
de o afirmar sem receio de represálias. Contudo, na minha opinião,merecem-me menos respeito.
Na verdade, aniquilar um País só porque atravessa um momento de crise
parece-me ilógico e revelador de falta de confiança ... e mesmo de
imaginação. Defender que outros vão fazer o que a nós compete fazer é muita
ingenuidade. E, já agora, porque defender a opção espanhola? Revelaria mais
imaginação ( e MUITO maior proveito económico) uma federação marítima
("talassocrática") com a Holanda ou com a Dinamarca, por exemplo...
O facto de partilharmos uma Península com um Estado não nos obriga a
unir-nos por motivos "geográficos"...assim como a Suécia e a Noruega não se
unem só porque partilham a península escandinava. O facto de se dizer que
"Portugal saíu da Espanha", para além de errado (Portugal "saíu" do Reino de
Leão, a Espanha não existia), a nada nos obriga também. Os holandeses e os
suíços saíram da Alemanha... e não me consta que se defenda a sua
reunificação com o pátria original.
Todos estes argumentos escondem uma profunda incapacidade de pensar assuntos
sérios com profundidade e num espírito construtivo, e revelam a preguiça de
pensar Portugal a partir do que ele é. Melhor, revelam a preguiça de pensar.
É muito mais cómodo ( e parece ser moda) desistir e dizer que não vale a
pena porque não se vai chegar a lado nenhum. Presume-se que os outros serão
tão incapazes como quem o proclama.
Talvez o mais preocupante seja verificar que a razão principal, quando não a única, dos que defendem a União Portugal-Espanha, é de natureza económica... ou interesseira. "Se fôssemos espanhóis, ganharíamos mais, já que eles ganham mais". Esta frase aparece em quase todos os inquéritos.
O erro é evidente: quase sempre ao longo da História, Portugal repetiu um erro: esperar que a riqueza viesse ter ao seu encontro. Tal sucedeu na Época da Expansão, e noutras épocas mais ou menos favoráveis. As elites preferiam viver de rendimentos, pouco arriscando em busca de novas fontes de enriquecimento...principalmente se passavam por produzir algo de novo no seu próprio país...
O povo em geral ia vivendo mal, e verificava que quem prosperava era quem menos riqueza produzia... quando não lançava mão de métodos menos honestos. Ser "esperto", "desenrascar-se", era muito mais rentável do que matar-se a trabalhar.
Trabalho que, aliás, era visto como algo de pouco dignificante. O trabalho não era apanágio das classes dominantes. Uma mentalidade que ainda não foi de todo ultrapassada.
O que se espera, muitas vezes, de uma União Ibérica é que estrangeiros façam por nós aquilo que nós próprios não conseguimos fazer. Uma ilusão. Imaginemos Madrid a subir o nível de vida em Portugal de um momento para o outro. Como iria buscar recursos para tal ? Só tirando-os a regiões espanholas, que não o iriam aceitar nunca.
Não se deve esquecer também que a tendência geral seria


De FM a 20 de Novembro de 2008 às 14:46
Caro Carlos,
A união ibérica não é para mim uma moda. Se o é, para mim, dura há 20 anos, que é mais do que as saias da Chanel ou os fatos príncipe de Gales.

Defendendo tão intrasigentemente Portugal deveria ter mais cuidado com a língua. Idéia ainda é ideia e é Ibérica.

Agora a sério,
Até compreendia a sua critica se estivessemos a falar há um par de anos, quando a economia espanhola era a que mais crescia entre os países desenvolvidos e nós estavamos de tanga. Nessa altura, quando todos falavam de Espanha, Espanha, creio que consegui manter-me mais ou menos calado, embora, lá está, tivesse ideias feitas em relação ao assunto.

Por outro lado, se lesse o link, perceberia que o escritor até defende que o grande erro de Filipe foi não ter feito de Lisboa a capital da Ibéria.


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