Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008
Assim como aquele programa do Euronews:

Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia... Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se. E até não sei se a certa altura não seria bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia.
Manuela Ferreira Leite

Qualquer afirmação acerca do aumento do salário mínimo – para além do princípio, que subscrevo – não quereria chamar irresponsável, mas roça muito o nível da irresponsabilidade
Manuela Ferreira Leite

Eu não sou suficientemente retrógada para ser contra as ligações homossexuais. Aceito. São opções de cada um, é um problema de liberdade individual, sobre a qual não me pronuncio. Pronuncio-me, sim, sobre o tentar atribuir o mesmo estatuto àquilo que é uma relação de duas pessoas do mesmo sexo igualmente ao estatuto de pessoas de sexo diferente. Admito que esteja a fazer uma discriminação porque é uma situação que não é igual. A sociedade está organizada e tem determinado tipo de privilégios, tem determinado tipo de regalias e de medidas fiscais no sentido de promover a família. No sentido de que a família tem por objectivo a procriação”.
Manuela Ferreira Leite

As obras públicas ajudarão, pelo menos, ao factor desemprego...
Ao desemprego de Cabo Verde, desemprego da Ucrânia, isso ajudam. Ao desemprego de Portugal, duvido
Manuela Ferreira Leite

nãocomento nãocomento nãocomento nãocomento nãocomentonãocomento
ento vnãocomentonãocomentonãocomentonãocomentonãocomentonãocomento
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Manuela Ferreira Leite
De
jorge c. a 19 de Novembro de 2008 às 11:32
Realmente, visto assim! Que rigor! Que isenção! A língua afinal tem só um sentido, é dura e rígida. Não existem exclamações, nem interrogações, nem figuras de estilo nem nada. Muito bem, sôtor!
Prefere então a Dra. Maria de Lurdes e o Engº Sócrates. Ora a como é que se chama a isto? Hm...
De
FM a 19 de Novembro de 2008 às 15:12
Não sei onde costumas ler citações da senhora, mas estas parecem-me muito correctas. Está bem explicito o espaço para segundas leituras, como as que se têm feito sobre "o que Manuela Ferreira Leite quis dizer foi..."
E daqui partir para a insinuação que defendo a ministra da Educação ou o primeiro-ministro parece-me redutor.
De
jorge c. a 19 de Novembro de 2008 às 15:27
A questão da imigração parece-me que começa com um comentário do jornalista. Além disso tudo tem um contexto oral e uma expressividade. Mas nem vou por aí, até porque não entro no "ela quis dizer assim". Ela disse o que disse, haverá ou não espaço para segundas interpretações. No caso de quem tem atacado acho que são abusivas.
Mas o facto de defenderes a ministra da educação não me passa ao lado. O autoritarismo que repudias está mais presente num primeiro-ministro que diz ser intolerante em relação a determinada matéria e numa ministra que não cede. Aí não ouvi os teus "no comment". É conveniente, claro. Ou se calhar é só impressão minha e partidarite e por aí fora, como é costume.
E em relação a simpatizar com líderes autoritários teríamos muito que conversar.
Daí não perceber o escândalo mesmo que não fosse mal interpretado.
De
FM a 19 de Novembro de 2008 às 23:22
Não quero discutir o que se passa na educação, porque não tenho conhecimentos técnicos para defender o modelo do governo ou propor uma alternativa. O que é certo é que muito criticam o Governo mas a única alternativa que ouvi foi suspender ou cancelar as avaliações, o que não me parece sustentável.
Não sei em concreto ao que te referes quando falas do Sócrates ser autoritário. Não sei.
E o que é que isso tem a ver com casamentos homossexuais e com a história dos imigrantes e com o salário mínimo?
Sobre as frases, podia vestir a pele de Sir Humphrey e (re)escrever:
"Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se. E até não sei se a certa altura não seria bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem"
"Qualquer afirmação acerca do aumento do salário mínimo roça muito o nível da irresponsabilidade"
"Eu não sou suficientemente retrógada para ser contra as ligações homossexuais. É um problema de cada um"
"Admito que esteja a fazer uma discriminação"
"A família tem por objectivo a procriação”
"As obras públicas ajudam ao desemprego de Cabo Verde, desemprego da Ucrânia, isso ajudam"
Foi o que ela disse. Será que é o mesmo que coloquei no post?
De
jorge c. a 19 de Novembro de 2008 às 23:26
Julgo que o anti-PSDzismo primário não te deixa ter outra interpretação.
Eu já fiz a minha parte e já admiti as falhas daqueles que defendo.
De
FM a 19 de Novembro de 2008 às 23:46
Estás há três comentários a acusar-me de não ter sido correcto na escolha das frases e de defender o Sócras e a menistra... e eu comento o comentário com olhos no post e depois acusas-me de ser anti-PSD?!? Queres que admita as falhas de quem? Eu não votei neles, meu caro. Devo admitir as falhas do partido em que votei? Admito, o partido em que votei já deveria ter apresentado uma alternativa.
Sabes o que penso do PSD e não vem para esta conversa. É muito mais profundo e vai muito mais além de líderes e tendências e ideologia. Aliás, falta dela. Mas se te referes a isso, não é ser anti, porque ser anti pressupõe a existência de algo do outro lado. Se te referes a ser anti-PSD, tipo "este PSD"... conhecendo-me como me conheces, só posso considerar um disparate.
De
jorge c. a 20 de Novembro de 2008 às 00:01
Julgo que não precisarei de te explicar as interpretações que eu faço dessas frases e que tu sabes perfeitamente que são as correctas. A não ser que queiras mesmo achar que a senhora é um boi. Acredito que seja essa a imagem que queiras deixar para a direita ficar mal.
As frases são as da senhora, sem dúvida. À excepção da do desemprego na construção civil, que foi isso que apontei. A frase inicial que publicas é um comentário do jornalista ao qual ela responde impulsivamente.
Mas já que insistimos na questão da ministra então vamos lá.
Eu não relacionei as coisas literalmente, como deves entender.
O que eu fiz foi simplesmente dizer que enquanto andas preocupado com umas declarações, que pelos vistos precisam de explicação para meninos que desconhecem a figura de estilo (seja ela despropositada ou não), o governo está a ter uma atitude intransigente com a questão da educação, e os sindicatos a mesma coisa. Se isto não é tão importante como a questão de MFL, então se calhar sou eu que tenho as prioridades erradas.
Não que sejas obrigado a falar de alguma coisa. Noto é apenas, no meu primeiro comentário, a conveniência de tal postagem.
Ou seja, basicamente estou a insinuar que o mau timing destas declarações vieram encobrir as acções governamentais e a crise, mais uma vez, e que a esquerda, mesmo que não esteja do lado do governo, vê uma oportunidade para achincalhar a líder da oposição que por acaso (mas que coincidência) é de direita.
Não posso também deixar de notar a simpatia que tens por MLR e pela sua intransigência. Não compreendendo portanto por que te insurges contra o comentário de Ferreira Leite, já que o autoritarismo nem te é indiferente. E falo de Socrates por ser o chefe de governo (isto é supostamente uma ironia, é melhor avisar, caso não seja bem interpretado).
De
FM a 20 de Novembro de 2008 às 08:24
"As frases são as da senhora, sem dúvida. À excepção da do desemprego na construção civil, que foi isso que apontei. A frase inicial que publicas é um comentário do jornalista ao qual ela responde impulsivamente."
Demorou a reconheceres que eu tinha sido correcto.
"mas já que insistimos na questão da ministra"
Insistimos? Plural? És demais...
"basicamente estou a insinuar que o mau timing destas declarações"..."a esquerda, mesmo que não esteja do lado do governo, vê uma oportunidade para achincalhar a líder da oposição que por acaso (mas que coincidência) é de direita"
Chegaste ao cerne do post: mostrar que, em ocasiões diferentes, em meios diferentes e sobre assuntos diferentes a senhora meteu os pés pelas mãos. Seria uma questão de timming a primeira vez (e não verás no Esgravatar post sobre a frase do casamento de pessoas do mesmo sexo), eventualmente a segundo... mas são vezes a mais. Ao contrário do que pensas e comentas, não me satisfaz minimamente achincalhar a pessoa que está à frente do maior partido da oposição, mais, o que tu chamas "oportunidade" que as pessoas de esquerda aproveitam - parentesis para dizer que não tenho d defender as pessoas em quem votei, elas é que têm de lutar pelo meu voto - eu chamo de desalento. É realmente necessário que a oposição seja actuante e credível. E com estas frases erráticas não vai lá. Ia com propostas alternativas, lá está. Vocês, que a defendem, têm de ter consciência que quando a criticamos, alguns de nós, eu, sobretudo a esta distância das eleições, não é pelo prazer de deitar abaixo, é simplesmente porque não serve e o principal partido da oposição tem de estar em forma, para o governo estar em sentido.
ainda te faltou o choradinho pela notícia do psd na rtp ter passado "no preciso instante" em que começou o sporting-porto noutra TV. Ah! e a brilhante: n pode ser a comunicaçºao social a escolher o que passa (ca para mim deve ser ela..) aii mundo! um abraço.
p.s. eu tava na sala qd ela falou na interrupçao da democracia. vi logo que era ironia e escrevi-o (http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=341632). mas tb me apercebi q era arriscado uma figura conotada à austeridade como ela, dizer coisas daquelas. é que se fosse o gajo do "alcochete jamais" ou o manuel pinho ja ng estranhava..
De
FM a 21 de Novembro de 2008 às 09:40
Sim, o que ela tem sido mesmo é errática. A MFL da mesma forma que defendeu que ia fazer tudo ao contrário do que fazia o PS, deve ter decidido fazer tudo ao contrário do que fez Menezes: se Menezes era só comunicação e pseudo-gurus, ela não teria qualquer cuidado com a comunicação. O resultado está à vista.
Confesso-te que o que me irrita mais é a ausência de discurso em relação à Madeira e, recentemente, o ataque cerrado ao ministro da Agricultura.
De
FM a 21 de Novembro de 2008 às 09:44
Lá está, é errática e depois precisa de vir corrigir - estava a ler o teu texto e o destaque à justificação do salário mínimo.
Três apontamentos rápidos:
Até dou de barato que todas estas barbaridades que sairam da boca da Senhora foram gaffes, frases menos reflectidas e reacções extemporâneas mas temos de concordar que o avolumar e a cadência criam um padrão. Em segundo, não é bom para o PSD nem para o país, que as sucessivas gaffes retirem a atenção do essencial e criem um sentimento de "do mal, o menos". Por último, não é só a esquerda que se aproveita. É tambem a direita que tem medo de que com MFL nem se consegue a vitória nem se retira a maioria ao PS. E isto note-se, no momento em que a conjuntura tem tudo para beneficiar a oposição.
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