Ao saber que os livros de Herberto Helder se esgotaram e que não há reservas em armazém e que não haverá nenhuma reedição, penso que a forma como o poeta se reserva e reserva a sua escrita acaba por funcionar como um excelente golpe de marketing. Precisamente ao contrário daquilo que ele pretendia que fosse. A ajudar esta a recusa de prémios e de entrevistas. Sexta-feira, um texto que me recuso a qualificar - porque já chega endeusar a senhora em privado - de Alexandra Lucas Coelho ajuda a montar o mito. Ontem, sai a notícia que não havia autorização para reimpressões (ou reedições). Uma pessoa comprou todos os livros disponíveis numa loja, outras terão feito o mesmo. Os leitores não podem agradecer. O autor, Herberto Helder, esse ficará com a glória de não ser vendido ao desbarato, em campanhas de Natal. O seu livro será produto de luxo. E isso os leitores não podem agradecer.
